segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Rascunho: 1ª parte

um ser arrastado para a vida como uma obrigação. uma existência forçada e submetida aos caprichos de uma raça que se julga no topo de uma suposta pirâmide das espécies. e a perpetuação da espécie já não é uma resposta equivalente à lógica. uns nascem de um destino meticulosamente planejado, outros do mero e infortúnio acaso. mas esta pessoa da qual pretendo falar... ela nasceu fruto de uma sutil violência; dessa forçosa narrativa que cria fábulas que falam sobre cegonhas que trazem bebês, e assim esconder, talvez, parte daquilo que somos.
foram longos momentos de uma dor submetida às ordens obstétricas. o ser que já existia, antes mesmo de sua concepção e idealização, é então trazido a força ao mundo. mais um amontoado de células, em pleno funcionamento, configurado pela natureza. lido e significado por ideias e valores que tornam a vida cada vez mais desesperadora e medíocre, desde então lhe é previamente atribuída todas as obrigações de uma vida baseada num órgão genital. a existência, já nos primeiros anos de vida, precisa de força para ser suportada.

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