A minha partida sempre será vista como um ato de egoísmo.
Quanto mais longe chego, mais escura a realidade me parece. Essa leve imersão
na escuridão do meu peito, no apodrecer de minhas forças, na vicissitude da
minha alma que não pode se abastecer do ópio que a faz mover-se pela vida...
são paradas ao longo da estrada. Momentos em que respirar é pensar. A vida é
pobre a quem foi ensinado a pensar e amar. Não me explicarei. Escute o eco
vindo de si; a reverberação de versos já conhecidos. Amar é sofrer, pensar é
não estar contente e satisfeito com o que me está diante dos olhos, dos
sentidos que nos guiam a falta de... a lugar algum. De algum lugar. Dali
encontrei-me em outrem, que, hoje, de mim só nos resta a coexistência. Ai, que
daquele instante (não) suporto todo o peso. Estou condenado a carrega-lo mesmo
depois de partir. Que seja a beira-mar onde o peso das lembranças garanta-me um
adeus e que de súbito me faça sorrir antes do meu eu insistir em ser o próprio
mar através de um último olhar vazio ao tempo que ceifará minha dor. Assim
entre o amor e eu existirá, apenas, história. A dor se irá em busca de um novo
hospedeiro tão eu quanto me fui.
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