segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Créditos finais

Sentado à beira-mar, como uma estrela refletida sobre a superfície das águas, um pontinho perdido no manto celeste de uma ilusão friamente explicada pela ciência dos homens, estou eu a observar o tempo. A presenciar o pôr-de-mais-um-dia, que diferentemente das primeiras horas de claridade que nos atormenta a alma com a esperança, com a incerteza sobre como suportar a existência, o crepúsculo remete-me a conformidade diante do passado, ainda que sejam horas ou minutos atrás. Aconteceu e o dia não voltará atrás para nos ensinar a suportar a vida ao seguir do instante em que respiramos todo o ar que podemos suplicando por um minuto de paz.
A tormenta que se aproxima do meu céu é a mesma que desassossega o mar onde as estrelas refletirão, e eu, como uma, vinda do mar, transbordo de água salgada pelo olhar, a confundir-me com as pequenas ondas que estão a se formar. Já não observo o crepúsculo, sou ele próprio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário