De onde vem...

No íntimo de minha vida clandestina, o sentido nada mais é do que pura ilusão. Um delírio pulsante do ser humano, uma miragem no horizonte da vida. A melancolia é a tinta permanente da minha pena que me acompanha desde tenra idade. Por tanto tempo esconder esse meu eu de mim mesmo fez com que uma subvida fosse arquitetada no desassossego da quietude dos quartos vazios em que já habitei. Hoje já não preciso estar sozinho, carrego a solidão por onde me rastejo. A única sincera companhia dessa vida, que não maquia a existência. Que não me tenta esconder a dor. Com quem posso ser o mais vulnerável dos seres e que nunca tentará me culpar pela minha existência.
Na superfície da minha medíocre vida pública, sou Rafael Almeida, estudante de Letras e aspirante a escritor.
Os textos aqui expostos são pequenas reflexões dessas duas experiências de vida, a clandestinidade do meu íntimo, e a mediocridade da superfície, através de experiências emocionais e sensoriais. Quase tudo é literalmente biográfico, uma verdade ocultada, uma realidade reprimida, de alguém que eu não posso ser para o dia-a-dia da vida. Enquanto todos recusam a falta de sentido da vida, eu experiencio-a sendo o crepúsculo do meu dia escrevendo.

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