quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
defeito de fábrica
a fúria pode ser um sentimento libertador quando acompanhado do grito. aquele único momento onde toda raiva é expurgada de dentro de si com a vibração das ondas sonoras. de repente são suas entranhas escorrendo pela boca, aquele fel... grito de fúria é defeito. urro a minha dor pela janela dos dedos encharcadas pelas ondas dessa maré alta. essa morada encheu e transborda de água em roupa suja. grito porque sou defeituoso, sou humano. sendo assim, me mantenho berrando. brado de ódio em cada pulsação, enquanto meu fôlego aguenta a tormenta que me tornei. sou de longe um livre insano; de perto, um reles refém. chicotes dilaceram o peito; o líquido vermelho, que de sangue tem apenas o nome e o ser, é aquilo que impregnou-se naturalmente, feito chorume em lixão, onde o brinquedo que já era torto, se quebrou... jogado ao chão, olhar vago dilatado e corpo em contração aparentemente em vão, de tão vazia que é aquela existência. aos poucos surge mergulhado ao suco gástrico as sobras do prato principal, sofrimento e a solidão. gritei porque nada podia fazer. defeito. da fábrica ao uso, do uso ao descarte consciente do lixo.
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