Este corpo que é meu, mas que a sociedade formatara e o estado constantemente reivindica.
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| Arquivo pessoal |
Este corpo que é meu modelado pelas mãos da família e da igreja, à imagem e semelhança da ideia de que meu pau as regras dita.
Esse corpo que é meu de pele branca, cor de colonizador, que foi, também, colonizado pelo gênero que eu não sou.
Este corpo que é meu, marca de violências vividas, sentidas, desaguadas, amarguradas, amalgamadas no que eu sou.
Corpo que hoje excreta em luta aquilo que me foi proibido ao nascer, ao ser, ao existir.
Este corpo que é meu se alimenta da ferida aberta, do sangue que jorrou, dos soluços internos causados por risos, daqueles apelidos, daquela mão me arrastara pela rua.
Este corpo que é meu será meu. Custe a sacola de mercado cheia de lixo que me será atacada, custe os olhares de espantos, custe a saliva engolida pelo desconcerto que causará. Custe o meu constrangimento, ou a sua revolta. Custe os deboches universitários. Custe o preconceito que, em vida, não verei sanado.
Este corpo que é meu só será compartilhado com quem o respeitar.
Este corpo é campo de batalha, e a ninguém servirá.
Este corpo é meu.
E será, de agora em diante, finalmente, eu.

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