domingo, 7 de novembro de 2021

 Me chamem de tudo, menos de indiferente.
Sinto demais...
Sinto muito!


01 de novembro de 2021

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Deixo aqui de contar nos dedos os dias que faltam,
que faltam no meu dia-a-dia,
faltam na gélida temperatura do meu lençol,
das minhas mãos, de minh'alma.
Enfim, concretiza-se o presságio
do karma já revivido incalculadamente.
Mas por adoração a dor,
nisso permaneço,
nisso me afirmo,
nisso distingo-me.
E assim sigo, vez mais uma
nas peripécias e enganos
do sentido mundo
que fiz a escolha de pertencer.

16 de janeiro de 2013.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Excremento vive!

Quero vomitar de tanto ser
E voltar a devorar o mundo com todas as forças do que me restou
ser que se transformou
E então esvaziar-me de toda a esgotidão
Tratar-me
Purificar-me
Ressignificar-me
Me plantar em solo e nunca perder de vista as estrelas
E do mistério da escuridão vivenciada e a se viver
daquele fel que queimou minha garganta e apodreceu meu paladar.
Refluxo, mal estar e caganeira.
Tontura e desorientação, muitas vezes
Fezes, vomito, mijo, suor, saliva e
Porra! virei.
Estou com fome
devorarei, doravante, a existência até que se não possa mais existir.
Segurar
Desistir
Evacuar
Adubar
Alimentar
Para que me renasça no mundo
em algum lugar
E finalmente res de trás pra frente
como deve ser.

domingo, 25 de setembro de 2016

Autorretrato

Sumi mais uma vez, e cá estou com algumas inferências discursivas na mesma tentativa de compreender o que e quem sou. Acredito que estou chegando cada vez mais perto. Primeiro porque decidi não consultar mais memórias fabricadas. Dessa vez tenho tentado olhar para o passado como parte constitutiva de quem me tornei e não daquilo que gostaria de ter me tornado. Tem sido difícil aceitar algumas coisas, como, por exemplo, que estive em negação em relação a morte da minha mãe e como isso me afetou. Ou então, apesar de ter meu pai como meu herói, como nossa relação tem sido um tanto quanto destrutiva em certo ponto. Essa força controladora que paira sobre mim nada mais é do que a voz patriarcal de um silêncio que se impõe; afinal, mal conversamos nossa vida toda. Mesmo assim sinto que tanto já fora dito. É assustador como o silêncio reverbera de uma forma igualmente repressiva.
Aquela psicóloga estava certa. Precisamos nos perder, precisamos nos permitir estar perdidos para que possamos nos encontrar. Aceitar nossa fragilidade e limitação. Compreender que precisamos daquele cuidado de si que negligenciamos durante toda uma vida de fuga e de negação de sofrimentos profundos que até então não sabíamos que existia. Aquela raiva contida do passado, essa imagem de bom moço e sorrisinho forçado que ainda persistem são sequelas. Esse teatro de melhor aluno, melhor amigo, namorado, ou melhor qualquer coisa precisa acabar. Infelizmente ela tem se manifestado através do medo de viver e esbarrar na destruição de expectativas alheias criadas todas em cima de uma pessoa que nunca existiu.
Eu nunca existi de verdade. Minto. Minhas explosões eram extremamente genuínas. Minha antipatia por alguém baseada em - veja só! - preconceitos. O desleixo e  a preguiça também foram expressões daquilo que vinha me tornando. Só reconheço, de fato, isso hoje. Ainda assim, alimentei esse modo de ser narcísico que se admira e exalta a própria imagem, ainda que essa imagem não seja um reflexo verossímil daquilo que se é de verdade, por muito tempo iludiu. Por muito tempo imaginei ser alguém muito melhor do que era. E a sorte, infelizmente, contribuiu para que assim eu continuasse achando. Uma faculdade, um intercâmbio, boas notas - e reconheço que elas só existiram através de grandes amizades, vamos combinar... Eu sozinho fui e ainda sou um fracasso, um nada. No final das contas, embora narciso eu fosse, aquele resquício de consciência que mais parecia a serpente que levara Eva a cometer o primeiro pecado ainda me sussurrava o extremo oposto do que tentava externar em discurso. Horrendo e medíocre. Assim foram construídas as bases desse manicômio interno.
Essa polarização não existe, é claro. Sei bem disso. É ai que as narrativas únicas nos levam. Confusões, conflitos... Como podemos ser bons e maus ao mesmo tempo, não é mesmo?
Mas ser humano é isso mesmo. E é isso que preciso apreender. E é com isso que preciso trabalhar para aceitar a realidade tal e qual ela é e ajudar a transformá-la de acordo com um senso ético e moral para além do status quo que me moldara nessa bagunça emocional que hoje sou.
Ainda me vejo tomado pela inércia que continua a alimentar medos e inseguranças na vida prática. Mas sinto que aos poucos estou mudando e me fortalecendo. Só não sei quando me sentirei apto a levantar e andar.

Tic... tac... tic... tac... tic... tac...

Refletir parece ser o princípio da existência humana.


domingo, 14 de agosto de 2016

O maior alívio de uma pessoa em dor, física ou emocional, deve ser os segundos que antecedem seu último fio de consciência. A certeza de que acabou. Para os que tem fé é um mundo que os aguarda para que haja redenções. Para os céticos, talvez um empolgante fim, a certeza de um reaproveitamente de tudo o que se foi de forma prática. Matéria orgânica sendo reaproveitada pela natureza e suas leis. Para outros céticos, ainda a incerteza de, quem sabe, uma próxima desventura. Afinal, desnudar-se de crenças enquanto ato político é mais complexo do que se parece. Uma vez no assentado no subconsciente, quem sabe quando e onde as verdades de outrora não se desenterrarão.
Acho que esse último, acaba por me descrever com honestidade. Mas da janela pra fora, prefiro mentir. Ultimamente tenho deixado a cortina aberta. Descuido intencional pra ver o que acontece. Se alguém pelo olhar me puxa pelo braço. Se alguma voz me indica o caminho que me afaste dos sussurros da morte.
Como estamos todo sozinhos dentro de nós mesmos, nascemos assim e não diferente morreremos, vou percebendo que levantar-se, ainda que diante de mãos estendidas, segurando-te, o principal esforço para manter-se de pé e caminhar é o de dentro. É o de uma subjetividade fortalecendo-se

Campainha tocou. Acabei de ter que justificar pra outrem o luto da família. A morte de uma prima distante. Morava aqui do lado. Significou uma doce amizade de infância. Verônica. Nome forte. Sempre imaginei dar o nome pra minha filha de Maria Verônica. Uma mãe que queria ter uma filha e uma filha que precisava de uma mãe. Ao menos, é assim que ouvi dizerem. E sabe como é, né? Tudo o que ouvimos fica na nossa mente...

...me perdi.  Talvez eu volte e continue. Talvez não. Não sei.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Não faz sentido algum eu permanecer por aqui. 
Não estou me aguentando em pé.
Já estou deitado, mas ainda respirando.