domingo, 14 de agosto de 2016

O maior alívio de uma pessoa em dor, física ou emocional, deve ser os segundos que antecedem seu último fio de consciência. A certeza de que acabou. Para os que tem fé é um mundo que os aguarda para que haja redenções. Para os céticos, talvez um empolgante fim, a certeza de um reaproveitamente de tudo o que se foi de forma prática. Matéria orgânica sendo reaproveitada pela natureza e suas leis. Para outros céticos, ainda a incerteza de, quem sabe, uma próxima desventura. Afinal, desnudar-se de crenças enquanto ato político é mais complexo do que se parece. Uma vez no assentado no subconsciente, quem sabe quando e onde as verdades de outrora não se desenterrarão.
Acho que esse último, acaba por me descrever com honestidade. Mas da janela pra fora, prefiro mentir. Ultimamente tenho deixado a cortina aberta. Descuido intencional pra ver o que acontece. Se alguém pelo olhar me puxa pelo braço. Se alguma voz me indica o caminho que me afaste dos sussurros da morte.
Como estamos todo sozinhos dentro de nós mesmos, nascemos assim e não diferente morreremos, vou percebendo que levantar-se, ainda que diante de mãos estendidas, segurando-te, o principal esforço para manter-se de pé e caminhar é o de dentro. É o de uma subjetividade fortalecendo-se

Campainha tocou. Acabei de ter que justificar pra outrem o luto da família. A morte de uma prima distante. Morava aqui do lado. Significou uma doce amizade de infância. Verônica. Nome forte. Sempre imaginei dar o nome pra minha filha de Maria Verônica. Uma mãe que queria ter uma filha e uma filha que precisava de uma mãe. Ao menos, é assim que ouvi dizerem. E sabe como é, né? Tudo o que ouvimos fica na nossa mente...

...me perdi.  Talvez eu volte e continue. Talvez não. Não sei.