quinta-feira, 5 de maio de 2016

Não faz sentido algum eu permanecer por aqui. 
Não estou me aguentando em pé.
Já estou deitado, mas ainda respirando.

domingo, 1 de maio de 2016

O que está acontecendo?

"Permita-se estar perdido.
Permita-se."

Já faz algumas semanas desde que a psicóloga me disse isso. Primeira vez na vida, depois de uma vida sentindo essa necessidade, que fui em uma. Talvez o estado em que eu me encontro seja uma materialização dessa necessidade eminente, mas negligenciada.
Enfim. Estou perdido. Isso é constatação. Fato. Mas o eco de uma voz aparentemente cansada, e com um certo peso, diria eu, ainda soa aqui dentro. Estou a tentar compreender.
Fico me questionando se estou perdido, ou se é defeito. Mau funcionamento. Mau desenvolvimento.
Tenho medo que seja isso. Tenho medo de ter me forçado a um estágio do qual não sou capaz de ultrapassar, tampouco posso regressar.
O tempo é um só. Pelo menos por ora. O agora. E, segundo Nietzsche, é o único que existe de fato. Passado é memória, pois então é presente imaterial. E o futuro, ainda, não se concretizou, por isso não existe. Existem hipóteses, umas mais fortes e concretizáveis que outras, que podem vir a se realizar. Mas pensando bem, nem mesmo o presente existe, visto que não podemos congelar o tempo, os segundos passam, vivemos em instantes dinâmicos, que passam. No momento que se pensa que é, não é mais. Isso é presente? Ou são futuros, microscópicas hipóteses de futuro, se concretizando numa macroestrutura que chamamos de presente? Sei lá. Estou perdido demais para pensar nessas questões com clareza. Se é que alguém pensa nessas coisas com clareza...
Uma das verdades é que estou cansado. Ou sou cansado? Me canso e desisto com frequência. Não sei se quero continuar trilhando um caminho que comecei, se mudo a rota, se estaciono. Estar preso ao presente me incomoda. Nesse estágio não conseguir me projetar no futuro me frustra. Não saber qual será o final, ou os meios em que me encontrarei em vida, não me consola. Eu não sei viver o presente. Eu não consigo viver o presente. Eu não sei lidar com o presente com grandes hipóteses de um futuro medíocre. Pior é não me sentir capaz em habilidades de sair daqui. Desse estado. Minhas faculdades mentais parece que atrofiaram no sentir prazer para acobertar a dor das coisas, pessoas, lugares e momentos que passaram, que deixei e que perdi pelo caminho.
A falta de perspectiva em um dia conseguir estar feliz por longos períodos e pequenos intervalos me impede de ser feliz no agora. Mas como mudar? Como ser feliz no agora se não consigo lidar com ele e com as reverberações de passados não resolvidos?
As condições em que vivo, no contexto sócio-político em que vivo, é que não me permitem estar feliz ou eu não me permito estar feliz? Ou os dois igualmente? Ou mais um do que o outro? Qual é mais e qual é menos? Será que tenho uma resposta sincera pra isso ou me utilizarei de recursos retóricos, tal como os utilizo agora para responder com mais vazios e dúvidas? Não sei.
Eu penso muito nos outros, também. Como estão, o que pensam de mim, o que sentem por mim, como me veem. Apesar de ter me livrado e muito dessa constante preocupação, elas ainda permanecem em um outro nível. Acho que isso me impede de ser ainda mais eu. De me expressar mais como eu gostaria.
Sou infantil ou me infantilizei ou fui infantilizado. Ao menos, assim eu me sinto. Maturidade seria bem vinda agora. Pra isso preciso me reprogramar. Mas como? Já passei por coisas, muitas coisas, mas parece que amadurecer é difícil. Não é só vivenciar. É força de vontade, esforço, disposição, reprodução, teatro, arte, música, poesia, literatura, teoria, foco, força, sem fé. Fé é infantilidade humana. Acho que pode ser isso também. Ainda paira sobre mim resquícios de fé, ou de medo da não fé. Ou os dois. Sei lá.
Estou perdido, cansado e com sono.