Estava eu no banco, me endividando um pouco mais com o capitalismo, quando um homem, que acompanhava sua esposa no caixa eletrônico ao lado, me olha e volta seus olhos para a mulher, que entendendo o que seus olhos queriam dizer, decide traduzir em palavras.
- Ainda acham isso normal. Vê se pode...
Essas microfísicas do poder me circundam todo o dia. Em todos os espaços. Estar em espaços públicos me é sempre motivo de ansiedade... eu nunca sei quando uma dessas pessoas se sentirá no direito de me agredir fisicamente. Pois as agressões verbais, como disse, já me são rotina.
Minha insegurança vai ao extremo de nem conseguir levantar a cabeça enquanto ando. Sigo pensando: - Quais são os critérios para definir normalidade neste mundo tão plural, tão diverso e tão artificial quanto é a vida em sociedade. Uma pessoa que se enche diariamente de cosméticos, que pinta o cabelo das cores que toda farmácia oferece, que se empanturra com venenos industrializados, que se droga na legalidade. Pessoa essa que quando não está satisfeita com o corpo modifica-o com plásticas e ninguém julga, ninguém questiona. Essa é a pessoa que me fala sobre normalidade. Essa pessoa que acha normal discriminar alguém em alto e bom tom.
Domingo estão todos lá, dentro daquele antro de charlatanices se achando as melhores pessoas do universo...
Ainda bem que eu não sou normal. Agora só me falta espaço neste mundo.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Meses sem poesia ou reminiscências de uma outra vida
Meio oco pra poesia
que o eco chega a estremecer minha paz
esta paz que do fundo avisa
é vazio, é medo,
lembrança daquilo que jaz
há tempos...
de fantasmagoria
que a sorte sempre que pode
não me apraz
- eu quero,
não posso!
pois a vida não é para os fracos
que jogam os dados
e que sabem:
não ganham jamais.
que o eco chega a estremecer minha paz
esta paz que do fundo avisa
é vazio, é medo,
lembrança daquilo que jaz
há tempos...
de fantasmagoria
que a sorte sempre que pode
não me apraz
- eu quero,
não posso!
pois a vida não é para os fracos
que jogam os dados
e que sabem:
não ganham jamais.
Pato Branco, 04 de setembro de 2015.
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