quarta-feira, 11 de março de 2015
Instantes de cabeceira
As noites vão aos poucos transformando-se no momento em que alcanço a margem. A tênue linha entre mim, o meu eu e os sonhos em que me apoio e construo. Por instantes, numa lucidez mergulhada em angústia, encontro-me feliz. Uma realização pessoal flácida, inconsistente e, talvez, para sempre imaterial. Uma vida ainda não vivida que me passa aos olhos como as nuvens me afastam de uma realidade para além de mim. Para além do que eu sou agora, neste exato e preciso instante. Já não sou há um conjunto de instantes, enquanto me (re)pensava. Instantes que transcendem o que sou, o que quero e para onde a vida me guiara até aqui. Permaneço calado. Ainda adormecido, espero pelo rompimento entre onírico - o realidade calada -, e o real - o onírico inventado. Limbo. Permaneço transitando entre o eu, o desejo e as incertezas, prometendo-me atravessar a margem sem nem pensar em não olhar pra trás. Não me vendo às ilusões, doo-me por inteiro.
Assinar:
Comentários (Atom)